Nem só de ciência vive o ser humano. Ela pode ser uma parte importante da vida, mas não é a única fonte de conhecimento. Uma viagem a trabalho, como esta que fiz para Bogotá, também pode ser uma forma de aprender e de se desenvolver, especialmente quando olhamos ao redor, observamos o cotidiano e a vida que pulsa na cidade. Aproveitei minha estada na cidade para conhecer um pouco mais de sua história, suas artes, cultura, gastronomia e arquitetura e farei algumas postagens sobre isso.
Fiquei hospedada no Hotel Silver
Javeriana, no bairro Chapinero ou como descrito pelos bogotanos, Chapinero Alto,
uma região mais tranquila e residencial, com várias universidades. Quando digo
várias, de fato são muitas universidades, quase uma do lado da outra. Algumas
em prédios históricos e outras nem tanto.
A Pontifícia Universidade Javeriana consegue misturar as duas coisas. Ela está localizada na Carrera Sétima, tem um campus imenso e dentre as suas construções há o edifício patrimonial Pablo VI, projetado pelo arquiteto Aníbal Moreno Gomez e construído em 1967 para albergar a faculdade de enfermagem. A construção é no estilo modernista internacional, com mesclas de texturas, sombras e tijolos. Sua arquitetura é dinâmica, uma experiência ativa que dá a sensação de movimento.
Edificio Pablo VI - Memoria
Javeriana - https://www.youtube.com/watch?v=yfwvKJ28qtco
Edificio Pablo VI - Memoria
Javeriana - https://www.youtube.com/watch?v=yfwvKJ28qtco
Em 2020, com a expansão da universidade foi construído um novo prédio para a Faculdade de Ciências (taller de arquitectura de bogotá), que precisava se articular harmonicamente com os prédios já existentes. Gostei muito da ideia de conectar as distintas áreas do campus com canteiros, áreas verdes e espaços coletivos, isso trouxe a natureza para dentro do espaço acadêmico, considerado muitas vezes inóspito. Além disso, a torre tem painéis metálicos corta sol que dão uma sensação de movimento.
Ao andar por Chapinero Alto, apenas
pela Sétima Avenida, aprendi muito sobre a arquitetura da cidade, sua história
e cultura. Sobre o uso dos “ladrillos” nas construções, que geram identidade
arquitetônica à Bogotá. São muitos prédios e casas com tijolos aparentes
(inclusive na Universidade Nacional da Colômbia, onde foi o congresso). Uma das
razões é circunstancial, o solo da região é argiloso e desde meados do século
XIX as olarias têm produzido tijolos maciços, transformando-os em um produto
versátil e democrático para a construção. Para além da estética, os tijolos são
adaptáveis às condições climáticas da região, eles ajudam a conservar o calor
durante o inverno, mantendo uma temperatura adequada nas noites frias de Bogotá.
É muita história para contar em
uma única postagem, por isso deixo endereços de páginas sobre o assunto e
termino com uma ideia: a arquitetura é muito mais que projetos e estruturas
físicas, ela é uma expressão artística e temporal, conta histórias, acolhe, produz
memórias, sonhos e sentimentos.
El Tiempo (Radiografía
del ladrillo en la arquitectura de Bogotá)
Conferencia: Aníbal Moreno
Gómez. Simbiosis entre ciencia y arquitectura - YouTube
Edificio Pablo VI - Memoria
Javeriana - https://www.youtube.com/watch?v=yfwvKJ28qtco
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